segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Por que brigam?

Há mais de quinze anos tentando solucionar litígios ainda me causa perplexidade notar o endurecimento das pessoas que as move a permanecer anos e anos com as relações rompidas. Isso é especialmente doloroso entre pessoas de uma mesma família ou que mantinham estreitos laços de amizade.

Cada conflito tem suas peculiaridades e as causas costumam ser complexas. Porém, há dois aspectos de fundamental importância que, se fossem bem cuidados, evitariam muitas brigas, ou ao menos levariam as pessoas a se reconciliar rapidamente. 

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Ditadura da Beleza

Durante a Semana da Moda de São Paulo (SPFW), Isabella Fiorentino, apresentadora do Esquadrão da Moda-SBT, lançou uma afirmação que gerou polêmica: “Modelos têm de ser magras, sim. Elas precisam ser ‘quase cabides’ para as roupas ficarem impecáveis. A gente não pode cair na ilusão de que a ditadura da magreza vai acabar”.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Dia do Funcionário Público

Hoje, dia 28 de outubro, comemora-se o dia do Funcionário Público. Antes de começar a escrever sobre o tema, resolvi fazer uma breve pesquisa no Google. Uma das primeiras imagens que surge é de um homem, com gravata, reclinado numa cadeira com os pés sobre a mesa e dormindo. Lamentavelmente é essa imagem que se difunde na população sobre o servidor público. Mas será isso verdade? E o que podemos fazer para modificar esse conceito?

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

O Custo da Mentira

Entre os investidores e empresários se ouve falar do chamado “Custo Brasil”. Grande parte desse decorre da burocracia, e especial, do enorme dispêndio de tempo e de dinheiro para se provar que se está a dizer a verdade em cada situação.

É curioso notar os motivos das exigências burocráticas. Tomemos um exemplo. Alguém, em algum lugar, resolve fraudar um determinado documento, lançando nele assinatura falsa. A notícia chega à Brasília, onde se resolve “regulamentar”: a partir de então será necessário assinar diante de um notário que irá reconhecer a assinatura por autenticidade. Com isso, os cidadãos de bem terão custos enormes para provar, a todo momento e em milhares de situações, que não estão falsificando o documento, ao passo que os criminosos, com uma agilidade espantosa, saberão driblar facilmente a nova exigência.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Responsabilidade Digital

Todos passamos parte considerável do nosso tempo diante do computador. Mas será que estamos conscientes dos riscos disso? Mais ainda, sabemos educar nossos filhos e alunos para usar essa ferramenta com responsabilidade?

A questão é muito ampla e complexa. Por isso, gostaria de abordar hoje apenas o impacto do mundo virtual sobre dois direitos fundamentais da pessoa humana: a honra e a intimidade. E, noutra oportunidade, talvez nos dediquemos a outros aspectos da questão.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Uma semana pela vida


Nesta semana, de 1º a 7 de outubro, somos convidados a celebrar o valor da vida e a refletir sobre isto. Há poucos dias abordamos, nesta coluna, a nossa preocupação com a aprovação da Lei Federal n. 12.845/2013 que, como dissemos, representa um verdadeiro Cavalo de Troia contra a vida. Porém, gostaria de retomar o tema sob um enfoque aparentemente contraditório: a imensa maioria das pessoas contrárias ao aborto e à sua legalização não gostaria de ver uma mãe que o comete atrás das grades.


Dir-se-á, então, que é apenas isso o que pretendem os adeptos da descriminalização do aborto, ou seja, que a mulher não seja punida, mas amparada nessa situação.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Medo dos jovens

Muitos pais receberam indignados e atônitos a notícia do assassinato de um jovem estudante da UNICAMP durante uma festa que ocorria no Campus da Universidade. O desencadear dos fatos que culminou com o lamentável incidente como esse é complexo e cabe à Polícia e à Justiça agora apurar. Apesar disso, já podemos afirmar que um dos aspectos que causa maior indignação aos cidadãos em geral é o festival de hipocrisia que sucede ao acontecimento: “a festa era ilegal”, “a polícia não foi chamada” e, se chegassem até muitos pais cujos filhos lá estavam, em especial dos menores de idade, talvez diriam simplesmente que não têm controle sobre eles.
É interessante notar como paira no ar um verdadeiro pânico em relação a muitos jovens do nosso tempo. Eles foram criados num ambiente que não favorece o respeito a qualquer tipo de autoridade e, quando atingem essa idade em que é natural aflorar mais acentuadamente a rebeldia, não se sabe realmente o que fazer com eles.

A autoridade é, essencialmente, um tipo de influência que exerce a pessoa que a detém em relação àquela que está sujeita a essa autoridade. Esse “poder”, capaz de exercer adequadamente essa influência, pode e deve ser construído pela própria autoridade. Porém, todos os segmentos da sociedade, mas em especial a família e a escola, também devem forjar nos filhos e alunos esse respeito, sob pena de ele não ser edificado adequadamente.

Tomemos alguns exemplos. Se a mãe ou o pai, desde a mais tenra idade, já iniciam a conjugar, na medida certa, carinho e firmeza com os filhos, eles se sentem seguros em obedecer porque se sentem amados. E então a autoridade dos pais se constrói sobre bases sólidas.

Algo de semelhante sucede com os professores. Quando eles se interessam de verdade pelos alunos, demonstram profundo conhecimento da matéria que ensinam, e sabem ser rigorosos quando necessário, mas ao mesmo tempo demonstram sincero apreço pelos alunos, estes se sentem motivados a obedecer, porque encontram neles um modelo seguro a seguir.

Mas a autoridade não se forma apenas de dentro para fora. Também os demais auxiliam a construí-la ou a destruí-la. Assim, mesmo que pai e mãe a exerçam na medida certa se, por exemplo, outras pessoas próximas, como os avós ou algum parente, se dispõem a criticar os pais e as suas ordens diante dos filhos, por mais que aqueles se esforcem, não conseguirão exercê-la eficazmente.

Também na escola pode suceder algo ainda pior. Reina no ambiente escolar uma interpretação deturpada do Estatuto da Criança e do Adolescente que gera em todos a convicção de que os filhos e alunos têm muitos direitos – inclusive o de não obedecer – sem nenhum dever correspondente. Ora, é preciso dizer bem alto que ISSO NÃO ESTÁ DITO EM NENHUM DOS ARTIGOS DESTA LEI! Não é necessário modificar o Estatuto e nem revogá-lo. O que está errado é uma análise míope e distorcida, feita em alguns ambientes escolares. E com ela se mina a autoridade dos professores com essa visão de que os alunos não podem ser contrariados, que não podem ser punidos por suas más ações etc. Em suma, esquece-se que liberdade somente é verdadeira se exercida com responsabilidade.
E então com filhos e alunos “educados” nesse cenário, forja-se um verdadeiro medo de contrariá-los, quem sabe por se temer a sua reação. Talvez isso explique, em parte, porque alguns se dispõem a manter rádios clandestinas ou a promover “festas ilegais”, sem que se tenha a coragem de impedi-los, sem que as autoridades públicas tomem as medidas convenientes, com o rigor, se necessário, para fazer cumprir a Lei.

E, aos pais, que também talvez façam uma leitura equivocada da Lei, convém recordar-lhes um pequeno inciso do nosso Código Civil, que elenca o conteúdo do Poder Familiar. Dispõe o inciso VII do artigo 1.634 do nosso Código Civil que compete aos pais, quanto à pessoa dos filhos menores: “exigir que lhes prestem obediência, respeito e os serviços próprios de sua idade e condição”.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Um Cavalo de Troia contra a Vida

Recentemente, a presidente Dilma sancionou a Lei Federal n. 12.845/2013. Estou convencido de que essa Lei é um verdadeiro Cavalo de Troia.

Houve várias tentativas de descriminalização do aborto no Brasil. No entanto, até o momento não se obteve êxito. E o motivo é que a imensa maioria dos brasileiros é contra essa medida. Com isso, sempre foi muito difícil a aprovação de projetos de Lei nesse sentido, pois os parlamentares, eleitos pelo povo, são bastante sensíveis à opinião pública.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Médico importados


Agora que já estão se acalmando os ânimos sobre a polêmica que se acendeu acerca da vinda de médicos de Cuba, gostaria de expor uma preocupação: como cada um de nós, médicos ou não, vai-se portar diante desses profissionais? Não pretendo analisar o erro ou o acerto dessa decisão. Que a julgue a consciência de cada pessoa que dela participou. E também a história a seu tempo fará tal julgamento. Porém, diante desse fato consumado, qual é a melhor atitude de cada um de nós?

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Anseios de Paz

O Papa Francisco convocou para o último sábado, dia 7 de setembro, um dia de jejum e de oração pela paz na Síria, no Oriente Médio e no mundo inteiro. O apelo foi ouvido e se fez ressoar nos corações das pessoas das mais diversas religiões: católicos, cristãos em geral, islamitas e mesmo entre os não crentes. Na Praça de São Pedro e nos quatro cantos do planeta se fizeram ecoar as súplicas de uma humanidade sedenta de paz.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Alegria na doença

Há poucos dias tive a gratíssima satisfação de visitar o Sr. Dionésio Brandão no hospital. Ele havia passado por uma delicada cirurgia cardíaca e se recuperava no quarto. Foi um dia de gratas surpresas. Primeiro pude notar a qualidade dos serviços prestados no Hospital da PUC-Campinas, ao menos no setor que visitei. Além das modernas e amplas instalações, era visível a atenção e carinho dos médicos e funcionários com os pacientes.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

A Ditadura da Maioria


Há poucos dias, em conversa com estudantes universitários, acendeu-se um acalorado debate. O tema estava relacionado a uma deliberação dos alunos de fazerem greve em busca de reivindicações. Então um deles fez a seguinte ponderação: “Na verdade eu não concordo com os motivos da paralização, porém, como a maioria assim decidiu, devo aderir”. Nesse caso – e poderíamos citar outros semelhantes, como ocorre nos sindicatos – os vencidos deverão sempre se render à decisão da maioria? E haverá um limite para isso?

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Ensinando a lidar com as frustrações

Os educadores e psicólogos ressaltam a importância de ensinar as crianças e adolescentes a lidar com as frustrações. Mas como fazer isso de uma maneira eficiente?

Pais, mães e professores precisam considerar que são guias. E, como tal, devem conhecer o caminho a seguir. Por isso, é necessário que o educador também aprenda a lidar com as próprias aspirações. É que, como quase tudo em educação, a formação se dá principalmente pelo exemplo.

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Casar-se ou juntar-se?

Em nosso tempo não é raro encontrar pessoas que estabeleceram uniões conjugais, sem contraírem previamente um vínculo formal. Muitos desses casais têm vontade de se casar, porém apontam diversos motivos para retardar essa decisão. E enquanto não alcançam as condições que entendem necessárias – conclusão do curso universitário, aquisição de imóvel e veículo próprios, ou mesmo atingir determinada meta profissional – optam por simplesmente viver juntos. 
Há quem afirme que a chamada coabitação “à prova” permite amadurecer a decisão de contrair matrimônio...

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Manipulação dos Jovens

Em sua entrevista concedida à Rede Globo, o Papa Francisco, indagado pelo repórter Gerson Camarotti sobre os recentes protestos, que levaram milhares de jovens às ruas no Brasil, dá uma resposta surpreendente: “um jovem que não protesta não me agrada”. E depois explica o motivo pelo qual considera saudável essa rebeldia: “Porque o jovem tem a expectativa da utopia, e a utopia não é sempre ruim. A utopia é respirar e olhar adiante”. 

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Da Praia de Copacabana

Cara Leitora, Caro Leitor,

Escrevo da Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro. Há poucos minutos se iniciou a Vigília na Jornada Mundial da Juventude. São milhões de jovens que há pouco vibraram com as palavras de alento do Papa Francisco, que os instava a levar uma vida coerente com a sua fé.


Minutos antes, o Papa percorreu a Avenida Atlântica no Papa Móvel, aclamado por uma enorme multidão que o saudava acaloradamente, comprimindo-o de um lado ou de outro...

JMJ Rio 2013: Eu fui!


Nos dias 23 a 28 de julho aconteceu a Jornada Mundial da Juventude 2013. Nela pudemos contemplar milhares de jovens que se encontram diante de um líder religioso para manifestar publicamente a sua fé, ao mesmo tempo em que anunciam para si mesmos e para o mundo que Deus existe. Mais ainda, que Ele é a razão das suas vidas e dos seus destinos.


É curioso notar essa imensa multidão que veio ao nosso País para ouvir a mensagem de um Papa que não lhes propõe uma vida fácil e cômoda...

segunda-feira, 22 de julho de 2013

JMJ Rio 2013: Eu vou!

Na próxima terça-feira, dia 23, começa a Jornada Mundial da Juventude 2013. Nela poderemos contemplar milhares de jovens que se encontram diante de um líder religioso para manifestar publicamente a sua fé, ao mesmo tempo em que anunciam para si mesmos e para o mundo que Deus existe. Mais ainda, que Ele é a razão das suas vidas e dos seus destinos.
É curioso notar essa imensa multidão que chega ao nosso País para ouvir a mensagem de um Papa que não lhes propõe uma vida fácil e cômoda...

segunda-feira, 15 de julho de 2013

A verdade arrancada

Quando os filhos vão crescendo e ganhando autonomia, uma dificuldade de muitos pais é admitir que eles tenham preservada a intimidade. Como consequência disso, há fatos, sentimentos e situações das suas vidas que não temos direito de saber, a menos que eles voluntariamente queiram nos contar.
E o direito de ter preservada a sua intimidade é tão importante que se aplica inclusive àquelas situações em que eles tenham incorrido em alguma conduta inadequada...

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Férias escolares

Férias de julho! Alegria para os filhos, porém, muitas vezes um pesadelo para os pais. É que nem sempre é possível conciliar as férias no trabalho com as dos filhos, e então fica o grande dilema: o que fazer com eles nestes dias?
É importante que os pais percebam que descanso não é sinônimo de não fazer nada. Assim, o fato de se estar de férias não impede que haja uma programação das atividades a serem feitas nesses dias. Não se trata de impor-lhes um ritmo de quartel. Afinal, é muito bom poder acordar um pouco mais tarde, ter mais tempo para brincar e se divertir. Isso, porém, não é incompatível com a organização do tempo.
É muito interessante que os pais façam com os filhos a programação das férias. Que decidam juntos o tempo que terão para ficar no computador, jogar vídeo-game, assistir TV, mas que também reservem um tempo para brincadeiras, jogos saudáveis e também a prática de esporte. É que, bem aproveitado o tempo, as férias ficam mais divertidas, além de promover a formação de muitas virtudes nos nossos filhos.
Lamentavelmente, porém, muitos pais procuram por atividades que simplesmente os mantenham ocupados, mas que não promovem o convívio familiar. E então se empenham em colocá-los em algum programa de férias na escola, no clube etc. Com isso, buscam inserir os filhos em qualquer lugar que estejam protegidos e, principalmente, que não causem aborrecimentos.
No entanto, as férias trazem uma oportunidade imperdível de se estar mais tempo com os filhos, e esse convívio mais estreito é imprescindível para a formação deles. Assim, mesmo que não se estejam de férias, muitos profissionais possuem horários de trabalho mais flexíveis, de modo que, com esforço e criatividade, conseguem iniciar o trabalho mais tarde, compensando o horário no final do expediente, para fazer alguma atividade com os filhos pela manhã, ou, ao contrário, entrar mais cedo para ter mais tempo ao final do dia. E mesmo que os horários sejam rígidos, sempre há como se desdobrar para estar mais com eles nesses dias.
E esse empenho por aumentar o convívio nesse período pode ser maior no caso de viagem. Infelizmente, porém, muitos pais, ao procurarem local para passar as férias, escolhem como requisito principal que haja no hotel monitores para cuidar das crianças. É que – pensam – assim se pode aproveitar bem a viagem, com as crianças para um lado e os pais para outro. Não há nada de ruim em que se conte com ajuda nessas ocasiões, mas que não sirva isso para aumentar ainda mais a distância entre pais e filhos.
Soube de uma conversa entre um pai e o seu filho pequeno que talvez nos ajude a ponderar sobre como estamos nos dedicando aos nossos filhos. Era quinta-feira e a criança não via o pai, ainda que pernoitassem na mesma casa, desde o domingo. É que o trabalho exige muito, de modo que saía para o trabalho bem cedo, quando o filho ainda dormia e retornava muito tarde, quando já se deitara. Na quinta-feira, coincidiu de o filho acordar mais cedo e surpreendeu o pai saindo afobado: “Papai, aonde vai?”. “Vou trabalhar, filho, e já estou atrasado”, respondeu o pai já abrindo a porta de saída. “A gente não ficou quase nada juntos nesses dias”, disse o filho querendo um pouco de atenção. “Filho, o que importa não é a quantidade, mas a qualidade”, argumentou o pai. “Pai, para onde você vai agora?”, insistiu o garoto. “Tenho uma reunião muito demorada e, depois, terei de trabalhar até tarde para terminar o serviço pendente”, respondeu o pai ainda mais afoito. “Pai, mas você não disse que o que importa é a qualidade e não a quantidade, então por que não vem mais cedo hoje?”. Sem resposta, o pai saiu remoendo aquela pergunta na cabeça.

Se considerarmos de verdade que a nossa presença é essencial para a formação dos nossos filhos, talvez sejamos um pouco mais generosos no tempo dedicado a eles. E as férias são uma oportunidade imperdível para isso.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

O porquê das manifestações

Assistimos nos últimos dias uma enorme multidão tomando as praças e ruas das nossas cidades em manifestações de protesto. Nesses movimentos fica evidente uma enorme insatisfação. No entanto, talvez ainda não nos esteja muito clara a sua causa mais profunda. Não é possível que seja apenas o aumento da tarifa de ônibus. O que de verdade retirou esses jovens da passividade e os moveu para a luta?
O brasileiro nutre um grande amor pela sua Pátria, mas também traz na alma uma baixa autoestima. Crescemos ouvindo comparações de que tudo o que é nosso é pior que o que ocorre lá fora. São frases do tipo: “nos Estados Unidos a polícia é assim, agora aqui...”, “em tal País da Europa o ônibus urbano tem isso e aquilo, mas no Brasil...”.
E então ficamos como que à procura de algo em que verdadeiramente somos bons, talvez para mostrar aos de fora e a nós mesmos que não estamos tão ruins assim. Quem não se emocionava, alguns anos atrás, vendo o Ayrton Senna fazendo tremular a bandeira brasileira em chãos europeus e em diversos cantos do mundo?
Nesse cenário, o futebol merece um capítulo a parte. É que aqui podemos nos orgulhar de sermos bons. Mas também nesse ponto nos resta uma forte dose de melancolia: exportamos os nossos heróis, pois não temos dinheiro nem competência para mantê-los em nossos estádios...
Aliás, durante muito tempo exportamos o que temos de melhor. Quantas vezes vimos em nossos produtos a frase “tipo exportação”, com isso querendo dizer que possui uma qualidade superior a daqueles que destinamos ao consumo interno. Acontece que, com isso, transmitimos a nós mesmos a mensagem de que somos menos dignos que os norte-americanos, europeus e japoneses, que têm o direito de receber o melhor do nosso café, açúcar, carne etc.
 Essa baixa autoestima enraizada e nossa consciência como cidadãs e cidadãos brasileiros é frequentemente agravada com o mau exemplo de nossos governantes. Muitas vezes parece que zombam de nós malversando dinheiro público impunemente. E, para agravar esse cenário, vemos também a absurda ineficiência das nossas instituições para evitar e punir as transgressões à Lei. Frequentemente a mídia nos traz a imagem – real ou deturpada – de uma crônica impunidade. E isso abala até o anseio natural que toda mulher e todo homem traz em si de agir para o bem, conforme a sua consciência.
Mas não estamos satisfeitos com isso. Ninguém gosta de ser tido como menos digno que ninguém, precisamente porque a dignidade da pessoa humana é imensa e nenhum ser ou povo que habita este planeta pode ser considerado ou tratado como inferior a outro. Essa passividade que nos marca é, no fundo, o desalento que brota de que acreditar que não há o que possa ser feito para mudar esse estado das coisas.
Mas eis que surgem uns jovens “rebeldes” que protestam, inicialmente, contra o aumento da tarifa de ônibus. E tomam as ruas na luta por essa causa. E então esse sentimento aflora num enorme grito de: BASTA! Somos dignos sim e queremos ser tratados como tal. Tanto que o grito que marejava nossos olhos era: “eu sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor...”.
Quando alguns manifestantes tentaram invadir o Congresso Nacional, um Senador pediu a eles a lista de reivindicações, que não foi apresentada. Na verdade não a tinham. Num primeiro momento pareceu ser uns rebeldes sem causa. Mas não. Clamam por dignidade, ainda que sequer para os manifestantes estejam muito conscientes disso.

A lição foi muito clara. O Gigante verdadeiramente acordou, como diziam os manifestantes. Foi um primeiro sinal de que estamos fartos de ser considerados pessoas de quarta categoria confinados num terceiro mundo. É certo que a mudança dessa situação dependerá do trabalho árduo e perseverante da cada brasileira e de cada brasileiro que saiu – fisicamente ou apenas com o desejo – às ruas para protestar. Mas, caros governantes e detentores do poder em qualquer esfera, fiquemos de olhos bem abertos diante de uma multidão que clama: “estamos aqui e estamos vivos e sedentos de construir uma Nação em que reine a dignidade para todos”.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Torta de limão

A cena é muito conhecida, ao menos dos homens. O jogo de futebol havia terminado há pouco, a roda de amigos se formou diante de uma mesa com cervejas “estupidamente geladas”. A conversa foi se amimando até que um deles mostra ao amigo uma fotografia no celular. Os comentários denunciam de que se trata:
- Lindíssima!
Logo se armou uma roda ao redor do smartphone. Todos se derretem em elogios... Um dos “atletas”, porém, se mantém um pouco distante do grupo, degustando a sua cerveja, mas nada “à vontade” com os rumos que tomou a conversa. Mas eis que um deles nota a o distanciamento do amigo e resolve buscar a sua aproximação:
- Cara, dê uma olhada!
Um tanto a contragosto, resolve observar o que tanto chamava a atenção dos amigos. E então lhe perguntam:
- O que acha?
Após um incômodo silêncio, resolve dar o seu parecer:
- É muito bonita. Mas a mim mais se parece uma torta de limão...
- Como assim? – Indaga o dono do celular.
Todos olhares se voltam para ele, ansiosos para que desvende o significado da expressão.
Diante do prolongado silêncio, um dos amigos, tomado pela curiosidade, resolve perguntar:
- O que você quer dizer com isso? Por que ela se parece com uma ... torta de limão?
- É simples – respondeu ele agora um tanto confortável por ter deixado o papel de terceiro coadjuvante para assumir o de ator principal. E prosseguiu: – A torta de limão é muito apetitosa quando a experimentamos, porém, após brevíssimos momentos de prazer, deixa um gosto amargo na boca e, se não a desfrutamos na companhia de pessoas que verdadeiramente gostamos, fica apenas um vazio na alma...
Verdadeiramente não era aquele um ambiente adequado para grandes reflexões. Por isso, as suas palavras, por irem “contra a corrente”, deixou todos desconcertados. Mas o desassombro dos amigos serviu de estímulo para prosseguir com suas ideias:
- E vou dizer mais. Quando estamos com o gosto amargo na boca, temos a possibilidade de experimentar mais um bocado. No entanto, dessa vez o amargor fica ainda pior e o prazer do segundo prato é muito menor...
Um dos amigos, um tanto desconcertado, resolve prosseguir nessas divagações:
- Mas se é assim, você que se diz tão apaixonado por sua esposa, não acontece com ela o mesmo? Como você a suporta há tanto tempo?
- Acontece que ela não é nem nunca será uma torta de limão...
O zagueiro, empolgado com aquela discussão nada futebolística, não conteve a curiosidade, e gritou do canto da mesa:
- O que ela é, então?
- Não sei com que compará-la – respondeu o nosso protagonista, sem perder a compostura.
Mas, após um breve silêncio, prosseguiu:
- Um bom vinho. Acho que isso é o que melhor a define em comparação com a torta de limão. O vinho, se é bom, fica cada vez melhor com o passar dos anos. E, mesmo após aberto, a última taça é sempre melhor que a primeira...
Os amigos estavam verdadeiramente surpresos, como que descobrindo algo novo, de modo que a novidade os agradava. Percebendo isso em seus olhos o nosso amigo prosseguiu com suas considerações:
- Sabe, os anos de casamento, se levados com interesse sincero em fazer o outro feliz, faz com que se cresça no conhecimento mútuo. E isso faz com que fique cada vez mais agradável o relacionamento, ainda que não faltem dificuldades e frustrações. Essas, quando superadas por amor, fazem crescer a união entre o casal. E o mesmo ocorre com as relações íntimas. Quanto mais nos conhecemos, mais é possível fazer esse ato mais prazeroso para o outro.
A conversa terminou e foram embora. O nosso protagonista precisou de carona com um dos amigos. Ao chegar à casa, a esposa o convidou a entrar. Ao dizer que não jantariam, pois haviam petiscado no bar ao lado do campo, a amável esposa propôs-lhes ao menos experimentar a sobremesa:
- Preparei uma torta de limão, com bastante raspas de cobertura, tal como você gosta, meu amor...
O amigo não escondeu uma grande gargalhada. 

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Prostituição e Dignidade Humana

O Ministério da Saúde lançou na semana passada uma campanha nas redes sociais que contava com o slogan: "Eu sou feliz sendo prostituta". Posteriormente, houve um recuo daquele órgão público e a publicação foi retirada. Apesar disso, penso que o tema merece a nossa reflexão.
Há uma forte tendência em nosso tempo de se eliminar todo tipo de discriminação. E isso é muito bom. Porém, a pretexto de não se discriminar, tem-se sustentado que determinadas condutas, intrinsecamente más, seriam eticamente corretas. Exemplo disso é o que se tentou fazer com essa campanha.
No entanto, para não se fazer injusta discriminação não é necessário – nem possível – sustentar que o erro tornou-se correto, mas basta saber distinguir o erro da pessoa que erra.
A prostituta mantém absolutamente intocável a sua dignidade. Bem por isso não pode ser tratada com falta de respeito, não pode ser proibida de frequentar determinados lugares em decorrência da sua condição, enfim, tem os mesmos direitos e os mesmos deveres que os demais cidadãos.
E, para que essa imensa dignidade que possui – por ser pessoa humana – seja devidamente respeitada, é necessário que todos saibamos ter esses olhos para ver no próximo um ser humano, seja qual for a sua condição: presidiário, trabalhador, prostituta, celibatário, casado, solteiro, divorciado, branco, negro, amarelo, heterossexual, homossexual etc. Isso não nos impede, porém, de chamarmos o erro de erro, com valentia e coragem se necessário.
No caso da prostituição, para a formação de um juízo ético, convém analisar os fundamentos e os fins do ato sexual. O sexo não é para o ser humano uma simples necessidade fisiológica, por mais prazeroso que seja. Todo animal tem o seu habitat natural e tem a sexualidade voltada à preservação da espécie. No ser humano acontece algo substancialmente diferente. O habitat natural da espécie humana é a família. E os “filhotes” dessa espécie tem a necessidade de um pai e de uma mãe que, mais que o amarem, que se amem entre si, precisamente porque o sentido das suas vidas é o amor.
Nesse contexto, a sexualidade humana está indissociavelmente vinculada ao amor entre um homem e uma mulher. Mais ainda, como esse amor é vida e fonte de vida, precisa estar selado com um compromisso que assegure a estabilidade desse habitat natural da espécie humana. Bem por isso que já se disse que o leito conjugal é um altar de cujo amor fecundo vidas humanas – dotadas de uma dignidade infinita – são chamadas ao imenso privilégio da existência.
Assim, “dar-se” no ato sexual por dinheiro ou procurar um parceiro ou uma parceira simplesmente para satisfação de uma “necessidade fisiológica” é transformar algo que é imensamente sublime em vil mercadoria. E isso degrada enormemente a pessoa humana, mesmo que se faça com o seu consentimento.
Ninguém é “feliz sendo prostituta”, assim como ninguém é feliz vendendo-se a si próprio ou comprando satisfações egoístas. A frase é ardilosa e mentirosa. Nela se encerra um baixo e sorrateiro golpe na dignidade humana, ainda que seja dourada com adornos atraentes e disfarçada com sorrisos exteriores e fingidos.

E a malícia mais repugnante dessas campanhas está em que bloqueia, ou ao menos dificulta enormemente, as possibilidades das pessoas deixarem essa “profissão” degradante, onde somente encontrarão frustrações. Penso que quem verdadeiramente busca o bem desses seres humanos, que se perdem na prostituição, deveria levar-lhes um acolhimento sincero e delicado, que os movesse a mudar de vida, a encontrar o verdadeiro amor e nele situar a sexualidade tal como foi concebida. É que somente assim poderão inebriar-se na fonte real e perene da felicidade.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Formando mulheres e homens livres

Recentemente muito se tem defendido a necessidade de impor limites na educação dos filhos. E a razão principal disso são péssimos resultados observados, decorrentes de uma educação excessivamente permissivista: jovens desorientados, drogas, gravidez precoce, perda do sentido da vida etc.
É evidente que o permissivismo causou grandes males às atuais gerações. Mas será que o simples restabelecimento dos limites na educação serão suficientes para corrigir os erros do passado?
Os limites são imprescindíveis, sobretudo porque eles permitem que nossos filhos e alunos saibam compaginar liberdade com responsabilidade. Soube da história de um garoto que, durante uma viagem com os colegas de escola para um acampamento, queixava-se com o professor de que seus pais não lhe davam liberdade, que dependia da autorização deles para quase tudo. Esse bom professor deu ao aluno uma brilhante lição, que merece ser contada:
“Seus pais não permitem que você faça tudo o que quer porque o amam. Veja esse pequeno riacho. Em sua nascente, uma margem é bem próxima da outra. É o que ocorre com uma criança pequena, que para tudo depende dos pais. O riacho, conforme vai avançando, as suas margens vão ficando cada vez mais distantes, até que deságue no mar, onde não há mais margens. Assim deveriam os pais fazer com os filhos. A autoridade dos pais é a margem dos rios que permite que cheguem ao destino. Quanto maior o rio, mais distantes as margens, quanto maior e mais responsável o filho, maior pode ser a sua autonomia. E que bom que haja a margem! Imagine o que seria do rio sem ela? Veja aquela parte do rio em que a margem é menos resistente, parte da água caiu para fora e apodrece à beira do rio, não chegará no mar. Assim acontece com os filhos que possuem pais fracos, que não desempenham a obrigação de exercer a autoridade: deixam seus filhos perdidos nas ribanceiras do mundo, não chegam ao mar”.
Penso que é interessante essa lição desse bom mestre. Porém, como toda analogia, é imperfeita. Ainda que a imagem das margens do rio chamem a atenção dos educadores para o dever de impor limites aos filhos, na prática, nem sempre é possível – e nem desejável – que os pais e professores assumam uma atitude excessivamente vigilante.
E mesmo que fosse possível essa vigilância, tampouco seria adequada para formar homens e mulheres de verdade. É que ninguém poderá ser verdadeiramente bom enquanto não se decidir a sê-lo livremente.
Nesse sentido, mais que cercados ou vigiados, nossos filhos e alunos precisam ser inspirados. Estão sedentos de exemplos vivos de que a vida vale a pena encarnados numa existência concreta. Assim, para formarmos mulheres e homens de verdade, felizes e com um claro e profundo sentido da vida, é necessário que sejam muito bem formados os educadores: pais e professores.
É muito difícil moldar um ferro frio. Ao contrário, se é aquecido, um bom ferreiro pode ir trabalhando, dando-lhe os contornos desejados. Novamente a analogia é imperfeita, afinal a educação não é moldar ninguém, e tampouco tem o educador o direito de impor naquele que educa um modo peculiar de ser, até porque o melhor que cada ser humano pode vir a ser é ele mesmo. No entanto, as virtudes que formam uma personalidade madura e feliz podem ser forjadas. E, para isso, quando maior for a “temperatura” do educador, mais apto estará para inspirar e arrastar.

Não queremos dizer que o bom educador precisa ser necessariamente uma personalidade carismática. A história está cheia de líderes carismáticos que arrastaram milhares de pessoas para um verdadeiro abismo. O que nossos jovens precisam é de educadores que encontraram um autêntico e profundo sentido para as suas vidas. E que, precisamente por tê-lo encontrado, são capazes de ensinar, muito mais que com palavras, com os exemplos que emanam de uma vida fecunda.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Alegrias e Desafios da Comunicação no Matrimônio

Grande parte dos problemas vivenciados pelos casais tem na sua causa ou como consequência uma dificuldade de comunicação. Não é sem razão que os casais mais sábios costumam aconselhar o diálogo. No entanto, o simples fato de se conversar pode não resolver a questão. Com efeito, dependendo da maneira como é estabelecida, a conversa pode ser origem de conflitos, desavenças e incompreensões. Alguns casais optam pelo silêncio, agravando o problema. O que é necessário para se comunicar de maneira eficaz e eficiente?
Um primeiro ponto a se considerar é que homem e mulher são essencialmente diferentes entre si. Muitos maridos, sobretudo nos primeiros anos da vida conjugal, esperam da esposa atitudes masculinas no modo de pensar, sentir e agir diante de muitas situações.
Tomemos um exemplo. Para um homem, se alguém lhe comunica um problema, “só pode estar buscando uma solução”. Assim, quando a esposa lhe relata um fato – do trabalho dela, p. ex. – imediatamente ele se põe a procurar uma solução e prontamente a comunica. E pior, depois de sua resposta, pensa que não faz sentido continuar a falar sobre o assunto. No entanto, para a esposa, relatar alguma dificuldade, pode ser para buscar empatia e não solução. Ela deseja apenas ser ouvida e compreendida e que o esposo mostre interesse pelos seus sentimentos e pelo que a angustia.
No entanto, por desconhecerem essa diferença natural nas naturezas masculina e feminina, acontecimentos pequenos podem ser causa de desentendimentos: ele pode se aborrecer por ela retomar um assunto “resolvido”, e ela pode sentir que ele não gosta o bastante dela, afinal, “nunca a ouve com atenção”.
Outro ponto relevante está nas expectativas não comunicadas mas que se presumem conhecidas. Se ele prefere divertir-se na companhia de casais amigos, não entende que ela goste de estar só com ele e os filhos ou com a família dela. No entanto, a falta de se comunicar tais preferências “óbvias” resulta em expectativas frustradas. É comum que alguém fique emburrado, atribuindo ao outro uma atitude egoísta.
A comunicação no matrimônio tem uma grande inimiga: a imaginação. Muitas vezes a mulher nota algum objeto deixado fora do lugar e começa a ruminar interiormente: “ele faz isso só pra me irritar... Não tem outra explicação, afinal, eu já lhe falei mil vezes...”. Outras vezes é ele que forma juízos “infalíveis”, do tipo: “ela está se tornando igualzinha à mãe dela”. E então fica procurando em suas atitudes manifestações do mesmo defeito da sogra de modo a comprovar suas conclusões.
Acontece que alimentar esses maus pensamentos vai corroendo o apreço pelo outro. Além disso, essas ideias infundadas mudam a atitude de um com o outro, resultando em hostilidades, cujo motivo o cônjuge absolutamente desconhece. Por isso, é preciso ter a valentia de cortar prontamente esses pensamentos distorcidos. Ao contrário, devemos usar a imaginação para fins mais nobres, pensando nas qualidades do nosso cônjuge, ou relembrando bons momentos passados juntos e o quanto um já se sacrificou pelo outro na vida conjugal.

Feitas essas considerações, é necessário falar, mas com sabedoria e senso de oportunidade. Há momentos que não são propícios para levantar questões conflituosas. Além disso, há de se buscar uma forma positiva de dizer as coisas, especialmente quando for necessária uma crítica. Talvez nos ajude a encontrar um ponto de equilíbrio considerar que nos casamos para fazer o outro feliz. Para isso, é necessário buscarmos conhecer nosso cônjuge: suas expectativas, o que lhe agrada e o que de nós aborrece o outro. Crescer nesse conhecimento leva a um coração cada vez mais enamorado, carinhoso e compreensivo.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Olhar nos olhos

Um amigo me comentou uma experiência que vivenciou no horário de saída de um colégio. Alguns pais e mães compareciam apressados e, muitas vezes sem interromper a conversa no celular, instavam os filhos a entrar o quanto antes no veículo. “A criança esteve ali por várias horas e o pai ou a mãe sequer se dignavam dar um beijo, um abraço, ou ao menos uma recepção mais calorosa, olhando nos olhos e procurando saber como havia sido o dia do filho ou da filha”, desabafou ele.
A revolução tecnológica que marca a nossa era tem muitos efeitos positivos. Muitas tarefas que décadas atrás demandavam muito tempo e esforço, hoje se resolvem num clique. Paradoxalmente, contudo, as pessoas se sentem cada vez com menos tempo. E, se não estivermos atentos, isso pode ter como consequência o empobrecimento das relações familiares.
A criança, sobretudo na primeira infância, tem uma necessidade muito grande de experimentar o amor dos pais pela afetividade. Sabemos que o amor não se resume a um sentimento. É muito mais que isso e se manifesta também na vontade de querer o bem da pessoa amada, bem como na capacidade de se sacrificar pelo outro. Apesar disso, nos primeiros anos de vida, o afeto desempenha um papel fundamental na vida dos nossos filhos.
Nessa idade eles ainda não possuem uma noção clara de tempo. Sequer sabem o que significa “estou atrasado”, “tenho um compromisso importante” etc. Pelo contrário, gostam que estejamos atentos ao que nos dizem, ainda que nos pareça sem importância. Muitas vezes é necessário sabermos nos abaixar para falamos olhando nos olhos, ou ainda pegá-los no colo e, nessa posição, ouvi-los atentamente. Enfim, que sintam no calor de um abraço quanto os amamos.
É certo que muitas vezes fazemos isso. No entanto, também com muita frequência, perdemo-nos da correria do dia-a-dia e deixamos essas manifestações de afeto apenas para quando algo interior nos abrasa e então queremos “comê-los de beijos”. Porém, com o ritmo frenético e as preocupações cotidianas, esses impulsos são cada vez menos constantes. Por isso, é necessário estarmos atentos e nos esforçarmos para que essas demonstrações de afeto sejam diárias e sinceras.
Devemos considerar, também, que as pessoas são muito diferentes. Assim, para alguns pais é mais fácil que a outros manifestar a afetividade. Apesar disso, o amor por nossos filhos manifesta-se muito especialmente no esforço por nos superarmos, fazendo algo que nos custa, precisamente porque os amamos.
Mas há, também, um dado oposto. Ou seja, algumas mães e pais são pródigos em fazer carícias, mas nem sempre se empenham em educar, que é igualmente demonstração de amor e sincero interesse pela felicidade dos nossos filhos. A correção não é incompatível com o carinho. Podemos corrigir, com energia às vezes, mas de uma maneira afetuosa, com respeito e desejo de que se comportem adequadamente para o bem deles.
Gostaria terminar novamente com o relato de um acontecimento muito marcante. O pai chegou a casa, mal cumprimentou a esposa e os filhos e foi para o escritório para continuar um trabalho que era muito urgente. Passados uns minutos, o filho, muito acanhadamente, aproximou-se da porta do escritório e disse: “Pai, posso fa...”. “Filho, já disse que tenho um trabalho muito importante, vai deitar que já está na hora”, disse o pai, sem esperar que o filho completasse a frase. O filho obedeceu, porém, passada cerca de meia hora, retornou: “Pai, posso fazer apenas uma pergunta?”. “Fala logo”, respondeu o pai, sem parar o que estava fazendo. “Quanto é que você ganha por hora de trabalho”. O pai ficou meio desorientado, mas, para se livrar logo da importunação, respondeu sem pensar muito: “Não sei, filho, acho que uns R$ 50,00”.

Com a resposta o filho foi para o quarto. Mas agora, curioso com a pergunta, o pai foi até o quarto do filho. Lá chegando, notou que ele tinha várias notas de pequeno valor e um saquinho com muitas moedas. E então o pai lhe perguntou: “Filho, por que deseja saber quanto ganho por hora?”. Então o filho disse ao pai: “É que faz dois meses que estou juntando esse dinheiro. Tenho agora R$ 47,50. Se eu te der o dinheiro, dá para o senhor ficar 57 minutos comigo?”.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Redução da Maioridade Penal

Em meio a notícias de crimes hediondos cometidos com a participação de adolescentes tem-se acendido o debate acerca da redução da maioridade penal.
Expliquemos inicialmente a questão sob o aspecto jurídico. Dispõe o artigo 26 do nosso Código Penal que: É isento de pena o agente que, por doença mental ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado, era, ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento.
Nesse dispositivo a Lei estabelece duas situações nas quais não pode ser imposta a pena: (1) se, por possuir um desenvolvimento mental incompleto ou retardado, a pessoa é incapaz de entender que uma determinada conduta é errada (ilícita, contrária às regras etc.) ou; (2) mesmo que saiba que essa conduta é contra a Lei, não consegue se comportar de acordo com a norma.
Na sequência, o nosso Código Penal, no seu artigo 27, estabelece que “Os menores de 18 (dezoito) anos são penalmente inimputáveis”. No mesmo sentido está o artigo 228 da Constituição Federal. Com isso, há uma presunção absoluta de que quem ainda não atingiu essa idade não consegue entender que aquelas condutas tidas como crimes (matar, roubar, traficar substâncias entorpecentes etc.) são contrárias à Lei, ou ao menos não consegue se comportar de acordo com esse entendimento.
É evidente que tal presunção é absurda. Aos dezesseis anos (ou mesmo antes disso) os jovens já possuem uma noção clara de certo e errado e, com mais ou menos esforço, também conseguem agir de acordo com esse entendimento.
Mas a questão não pode ser enfrentada com argumentos simplistas. Considerar o jovem de 16 anos como penalmente imputável significa que poderá, em última análise, cumprir penas privativas de liberdade em presídios, que muito bem poderiam servir para eles como autênticas escolas para a criminalidade.
Por outro lado, também é certo que o crime organizado cada vez mais tem se valido de menores para atuar na linha de frente. Assim é que os pontos de distribuições de drogas contam com adolescentes que, em caso de virem a ser flagrados, podem confessar o delito sem delatar os demais integrantes, posto que em breve haverão de ser liberados pelo Juízo da Infância e Juventude.
Há quem sustente que as chamadas medidas socioeducativas podem perdurar por tempo superior às penas impostas por muitos crimes. No entanto, nem sempre é assim. Tomemos o exemplo do latrocínio, em que a pena mínima é 20 anos. Se for praticado por um adolescente de 17 anos, inclusive com requintes de crueldade a ponto de atear fogo na vítima, estará sujeito à medida de internação, que não poderá exceder a três anos e jamais o infrator poderá permanecer nos estabelecimentos em que se cumprem essas medidas após completar 21 anos de idade!
É inegável que os presídios e os estabelecimentos destinados à internação de adolescentes não recuperam ninguém. No entanto, a sensação crônica de impunidade que nos aflige causa um mal enorme a todos, em especial às novas gerações. Por isso, penso que a redução da maioridade penal deveria ser considerada seriamente, ainda que esses jovens devessem cumprir penas em estabelecimentos adequados a sua idade e condição.
No entanto, seria uma terrível ingenuidade supor que isso resolveria o problema da delinquência juvenil. O crescente número de infrações cometidas por adolescentes é apenas um reflexo de uma sociedade cada vez mais desumana.
Cada mulher e cada homem que povoa o planeta somente encontra um sentido para sua vida se souber que é fruto do amor. Temos a necessidade vital de saber que nascemos como o transbordamento do amor entre um homem e uma mulher. Mais ainda, que o próprio Deus manifestou o seu Amor através daquele casal no ato de nos chamar à existência.

O nosso grande desafio, portanto, é fazer com que a família venha a ser aquilo que na sua essência é: berço da vida e escola de amor e para o amor. Do contrário, ficaremos apenas discutindo, em vão, a partir de quando podemos segregar os nossos semelhantes que não souberam ou não puderam receber o amor que tanto anseiam difundir neste mundo, ainda que não o saibam.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Liberdade e obediência

A liberdade é um direito e um atributo essencial do ser humano. Por outro lado, é fundamental para a sobrevivência de qualquer sociedade a obediência, como também os homens e as mulheres dependem dela para alcançarem a própria realização. Aliás, obedecer é fundamental para que nossos filhos e alunos obtenham a formação que lhes é necessária.
Mas, apesar de serem importantes para o ser humano e para a vida em sociedade, há quem estabeleça uma contradição entre liberdade e obediência, chegando a se sustentar que essa tolhe ou ao menos limita aquela. Diante desse impasse – real ou aparente – como se pode conciliar ambas na educação de nossos filhos?
Se tomarmos alguns exemplos concretos do cotidiano de uma família, talvez nos ajudem a compreender como a obediência pode se traduzir num sublime exercício da liberdade.
Imaginemos que os pais desejem fomentar a o hábito de estudo num filho. Em determinado momento, aleatoriamente e sem qualquer acordo prévio – talvez por estar cansada ou irritada – a mãe chega e diz: “vai estudar agora ou você ficará de castigo”. Nesse caso, a liberdade fica mesmo bem limitada, pois a opção é ir estudar (ou ao menos fingir que o faz) ou se sujeitar ao castigo prometido. Numa situação pior ainda, pode a mãe simplesmente desligar a TV, pegar o garoto pelo braço e colocá-lo a força diante da mesa de estudos. Aqui, sequer obediência autêntica haverá.
Para a solução do mesmo problema, pode ocorrer que os pais conversem com o rapaz, exponham pacientemente os motivos pelos quais é bom para ele o estudo, com argumentos convincentes e adequados para a idade. Mais ainda, de comum acordo, estabelecem um horário para o estudo, para a internet, TV, leitura, esportes etc. Depois, quando muito o lembram do que foi combinado. Se, nesse caso, o garoto decide estudar no tempo previsto, o fará livremente, bem como também praticará um ato de autêntica obediência.
Na educação devemos vencer a tendência ao imediatismo. Se vimos uma porta do guarda-roupas aberta, um calçado jogado ou uma grosseria que faz com um irmão, logo pensamos em corrigir naquele exato momento, muitas vezes com frases azedas e carregadas de mau humor. Além disso, queremos que eles correspondam na hora.
Por vezes o comportamento inadequado exige mesmo pronta intervenção. Nesse caso, haverá de se buscar meios para corrigir a sós e sem humilhar. Em grande parte das situações, porém, convém esperar um pouco e, depois, fora do contexto, explicar o porquê de manter os objetos em ordem, obedecer ou tratar com cordialidade os demais. E, nesse intento, há de se buscar razões mais profundas para a conduta esperada e se certificar de que entendeu a mensagem e de que os nossos argumentos fizeram sentido para ele ou ela.
Não há obediência verdadeira sem liberdade, assim como faz mau uso da liberdade quem não se sujeita às normas justas que regem a vida em sociedade, nem respeitam as autoridades legitimamente constituídas para zelar pelo bem comum.
Certa vez acompanhei um grupo de jovens na escalada a uma montanha. Havia um guia que nos acompanhava. Era um rapaz sério e de poucas palavras. Seguia a frente e se limitava a dizer “suba por aqui”, “não vá por ali”, “cuidado com essa pedra” e todos obedeciam. E ninguém ousava dizer que essas ordens tiravam a liberdade. Tínhamos um mesmo objetivo e os ensinamentos do guia eram essenciais para atingi-lo.

De certo modo, os pais e os professores são guias de seres humanos que devem trilhar neste mundo os estreitos e tortuosos caminhos da felicidade e da plenitude em suas vidas. Enquanto percorrem, encontram a alegria que serve de bússola a indicar o acerto da direção. Mas não podem prescindir do guia. E, se ele conhece bem o caminho e se lhe está claro o destino ao qual se dirigem, então liberdade e obediência encontrará nesses caminhantes a sua mais elevada expressão e harmonia.

A Voz da Consciência

Há poucos meses, ocorreu um incidente com um filho meu que bem pode ser o ponto de partida do tema proposto: a consciência. Ele deixou a carteira e o celular sobre um veículo, estacionado defronte a nossa residência, enquanto retirava a mochila do porta-malas. Entrou em casa e notou a falta dos objetos, retornando imediatamente. O amigo que o deixou, porém, já havia partido. Fez uma busca minuciosa nas redondezas e ligou para o amigo, de modo a se certificar que não havia esquecido no interior do veículo. Tudo em vão.
No dia seguinte, ao elaborar o boletim de ocorrência, sugeri que qualificasse o fato como furto, pois, ainda que tenha esquecido, se alguém pegou os objetos sobre o carro cometeu furto e, se os encontrou no chão, no mínimo cometeu o crime de “apropriação de coisa achada” que é um delito, tal como o furto, praticado contra o patrimônio alheio. Além disso, a notícia do furto isentaria do pagamento da taxa para emissão do novo RG. No entanto, o rapaz foi irredutível: “Pai, a única coisa que sei é que perdi a carteira e o celular. Se alguém furtou ou se apropriou indevidamente eu não sei. Por isso, não me parece correto fazem um B.O. de furto”.
Confesso que a primeira reação foi de vergonha, ao notar que pudesse estar sugerindo algo pouco ético, sentimento que logo cedeu lugar a uma imensa satisfação por ver frutificar na vida de um filho as virtudes que com tanto esforço tentamos cultivar. Mas, orgulho de pai a parte, penso que a questão bem comporta algumas considerações.
O incidente me fez lembrar uma frase do saudoso Arcebispo Metropolitano de Campinas, Dom Bruno Gamberini, proferida numa atividade de formação da Comissão de Bioética e Defesa da Vida da Arquidiocese: “Deus nos julgará pela nossa consciência”. De fato, a consciência é um reduto inviolável de todo ser humano, onde cada qual tem o direito de estar a sós com o Criador.
“Cada homem deve agir em conformidade com o que lhe diz a sua consciência. Deus infunde a sua luz na nossa inteligência e, se a não apagamos voluntariamente, estamos capacitados para fazer o bem sem necessidade, num primeiro momento, de uma ajuda exterior especial. Mais que isso: não devemos seguir os conselhos de outra pessoa quando são contrários ao que, no mais profundo do nosso coração, consideramos ser bom” (A liberdade vivida com a força da fé; Jutta Burggraf. Lisboa: Diel, 2012. P. 94).
É certo que o ambiente, de certo modo, pode dificultar que se procure, encontre e ouça essa voz que age no mais íntimo do nosso ser. No entanto, não poderá jamais apaga-la por completo.
Por vezes ocorre, porém, que somos nós próprios que tentamos tapar os ouvidos da alma, porque os seus ditames podem nos parecer demasiado exigentes. E podemos ser muito criativos nesse intento: “todo mundo faz isso...”, “se eu deixar de fazer outro fará...”, “uma propinazinha inocente não fará mal a ninguém...”, “bem, eu assumi esse compromisso, mas faz tanto tempo, as coisas mudaram, naquela época eu era tão imaturo...”.
É curioso notar como o silêncio incomoda tanto as pessoas do nosso tempo. Há uma necessidade e uma compulsão para elevar o som do rádio, ligar a TV ao chegar a casa, ainda que não estejamos diante dela. De que temos medo ao ficarmos a sós conosco mesmos? Será que nos aflige encontrar uma voz que, nos mais das vezes é suave e não nos força a nada? Mas em sua suavidade, não hesitará e nos instar: vá por aqui, seja mais paciente com esse colega, mais afetuoso com esse filho, sacrifique-se um pouco mais por sua esposa, por seu marido...

A propósito, apenas para não deixar o leitor curioso, fizemos o Boletim de Ocorrência por perda de documento. E confesso que aquela taxa e o tempo não poupado no Poupatempo para pagá-la foram os mais bem gastos dos últimos tempos. Afinal, quanto vale uma alma? E é precisamente isso que vendemos (ou jogamos fora) quando não seguimos os ditames de uma consciência bem formada.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Cursos de Orientação Familiar

No mundo dos negócios ouve-se falar cada vez mais em qualidade nos produtos e serviços e, para consegui-la, numa economia cada vez mais competitiva, muitas técnicas são desenvolvidas e implementadas. Dentre elas, especial importância se atribui às chamadas ferramentas de gestão.
E isso é necessário, dado o dinamismo das relações pessoais num mundo globalizado. Mas, além do trabalho, também a família ocupa – ou deveria ocupar – uma posição de destaque na vida das pessoas, precisamente porque o sucesso nela é fundamental para que se alcance a felicidade.
Se é assim, ou seja, se da realização na vida familiar depende, em última análise, a felicidade dos seus membros, e também ela está inserida e sujeita às mesmas vicissitudes de uma sociedade que segue seu curso num ritmo frenético, não será necessário que se desenvolvam ferramentas de gestão igualmente eficientes para gerir essa “empresa”?
Colocada a questão nesses termos, talvez surja, num primeiro momento, uma resistência em aceitar a comparação, com o argumento de que a família é uma pequena sociedade fortemente marcada pela afetividade. Assim, transformá-la numa empresa significaria matar o sentimento, que é fundamental para a sua sobrevivência.
De fato, a família é uma sociedade onde reina e deve reinar o afeto. Mas se é assim, a sua gestão e, por consequência, as ferramentas que se desenvolvam para atingir esse fim, devem levar em consideração a sua natureza e modo de ser.
Uma técnica que foi desenvolvida há década nas escolas de negócio é o chamado método do caso. Consiste basicamente em saber distinguir, numa determinada situação, o que é fato e, a partir desses fatos, identificar problemas que, por sua vez, permitem apontar e implementar soluções concretas para os problemas identificados.
Essa mesma metodologia foi desenvolvida e adaptada para a família. Nos cursos de orientação familiar que seguem esse método, no chamado Sistema F (de família), são apresentados casos envolvendo situações familiares nas quais o casal – é necessária a participação da mulher e do marido – são treinados a analisar os fatos, identificar problemas e apontar soluções concretas, passíveis de serem implementadas.
Essa técnica desenvolvia a partir da análise de situações familiares nas quais o casal não está envolvido é necessária precisamente porque a relação conjugal é fortemente marcada pelo sentimento. Assim, analisar um caso distante, que em princípio não tem a ver com eles, permite uma discussão mais serena. Ao final, aprende-se a tratar das questões familiares com maior objetividade, capacitando-os para encontrar as raízes mais profundas dos problemas e, a partir daí, buscar soluções mais eficientes e duradouras.
Com isso, após participar dos cursos, o casal que for fiel ao método e cumprir todas as suas etapas, estará apto para, em suas próprias vidas, analisar serenamente e com objetividade os fatos, identificar problemas e propor soluções, que desencadeiam um plano de ação, cujo objetivo é buscar, em conjunto, a felicidade própria e dos filhos.
Mágica? Penso que não. É a tecnologia bem aplicada para construir a felicidade da mulher e do homem como um todo nesse mundo em que estão inseridos. Ela não se alcança apenas com o sucesso no trabalho. Também o amor entre o casal e a sua manifestação frutífera na geração e educação dos filhos contam com técnicas eficazes para gerir esse empreendimento formado por pessoas com coração e sentimento, sedentas de amar e de serem amadas, humanizando esse mundo que é e pode ser ainda mais belo.

Para quem se interessa pelo assunto sugiro consultar a entidade internacional que cuida da difusão do método, o IFFD, que já conta com entidades conveniadas em cerca de sessenta países, inclusive o Brasil, o IBF.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

O silêncio de Deus

Há fatos que atingem a vida das pessoas que nos parecem de tamanha injustiça e causadores de tão grande sofrimento, que por vezes nos fazem queixar: “será que Deus não está vendo isso?”. Ou, mais incisivo ainda: “se Deus existe e é infinitamente justo – como dizem muitas pessoas de fé – como pode permitir tal coisa?”.
Essa indignação pode provir de acontecimentos da natureza, como ocorre, por exemplo, com uma pessoa que caminha na praia e é tragada por um tsunami devastador, ou – mais ligada à nossa realidade – é atingida por um raio. Mas é mais frequente fazermos esse juízo quando alguém é vítima de uma injustiça praticada por seres humanos, como ocorre com uma criança de tenra idade que é assassinada pela própria mãe, em companhia do padrasto, ou ainda de um jovem que toma um tiro na cabeça defronte a sua residência após ter o seu celular roubado.
O tema é vasto e intrigante e, evidentemente, não comporta aqui uma análise exaustiva. No entanto, penso que em breves considerações podemos serenar os ânimos e a consciência se por vezes nos virmos também com tais pensamentos.
Outro dia presenciei uma animada discussão entre uns trabalhadores da construção civil, que descansavam um pouco após o almoço. E, no meio do debate, um deles dizia: “Se eu fosse Presidente, ao menos por um dia. Ou melhor, apenas por duas horas, eu resolveria todos os problemas desse País...”. E depois prosseguiu ele com o seu plano mirabolante. E o rapaz, no seu íntimo, estava absolutamente convencido do que dizia.

Algo de semelhante ocorre em muitas instituições. É muito comum que os funcionários, ocupantes de cargos inferiores, acreditem com toda convicção que, se ocupassem os cargos mais elevados (a Presidência), reinaria ali a plenitude da justiça, da paz e da prosperidade. No entanto, quando se ocupa tais cargos se pode notar quão variados e complexos são os problemas, de tal modo que, mesmo tendo a frente pessoas extremamente capacitadas e bem intencionadas, os bons resultados nem sempre surgem rapidamente. 

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Paz e Justiça no Trabalho

“Estou cansado! Eu me mato de trabalhar e o meu colega, que não faz nada, ganha o mesmo salário!”. Certa vez ouvi essa frase de um rapaz durante um almoço de trabalho. Penso que muitos de nós já nos deparamos com situação semelhante no ambiente profissional. De fato, as pessoas são essencialmente diferentes entre si, o que também terá consequências no seu rendimento. Sendo assim, como será possível evitar o conflito?
Do ponto de vista do líder, ao mesmo tempo que persegue resultados, deve agir com justiça em relação aos seus subordinados. Assim, sobrecarregar cada vez mais o que apresenta bons rendimentos e manter uma atitude complacente para com o preguiçoso e desleixado é uma injustiça. No entanto, a justiça exige, também, tratar os desiguais de maneira desigual. Assim, o bom gestor saberá constatar essas diferenças e, a partir delas, encontrar o caminho certo para que cada um, devidamente motivado, saiba dar o melhor de si.
Mas não é esse o enfoque principal que gostaria de dar à questão. Mais que analisar a atitude do que exerce a liderança, penso que a solução desses conflitos depende de uma análise pessoal sobre a postura assumida perante os colegas e o próprio trabalho.
Trabalhar bem e atingir resultados dependem de um esforço pessoal, mas também influem os nosso talentos inatos. E ambos – esforço e talentos – não devem ser utilizados apenas para atender os interesses pessoais. Devemos orientá-los para o bem dos demais: colegas e, muito especialmente das pessoas que necessitam do nosso serviço.
Nesse sentido, pensar que os baixos rendimentos dos colegas – reais ou forjados pela nossa imaginação – justificam que também tenhamos uma atitude desleixada é um terrível contrassenso. É um grande privilégio poder trabalhar bem. E o maior beneficiado com isso somos nós próprios. O trabalho realizado com retidão de intenção, com o propósito de servir e com o desejo de transformar para melhor o mundo que nos cerca é fonte de imensa alegria.
Não estamos a sustentar, evidentemente, que se deva estender a jornada de trabalho, roubando tempo à família ou ao lazer, e nem que as atividades sejam feitas num nível de stress prejudicial à saúde. No entanto, nas mesmas horas diárias que dedicadas à atividade profissional, podemos encontrar formas de fazer render mais: talvez cinco minutos a menos no cafezinho, menos distração na INTERNET etc. Por outro lado, também é possível se esforçar para estar mais atento e prestativo às pessoas que nos procuram.
Certa vez conheci um grande homem – bom trabalhador e zeloso pai de família – que tinha um lema bem interessante: “ninguém vem ter comigo por acaso”. E explicava ele que se determinada pessoa o procura no ambiente de trabalho, esforça-se para resolver o problema, se estiver ao seu alcance. E, se a questão não for de sua atribuição, ao menos procura informar adequadamente onde e como se poderá buscar a solução.
Se nos esforçássemos para assumir uma postura semelhante no nosso trabalho, a inércia ou ineficiência do colega não nos incomodaria muito. Os que perdem o tempo com ninharias se deparam, ao final do dia, com um imenso amontoado de coisas não feitas, por preguiça, desordem ou comodismo, na verdade são uns infelizes, verdadeiramente dignos de pena.

Mas há ainda um ponto de fundamental importância: a mulher e o homem possuem uma imensa dignidade pelo que são e não pela capacidade de produzir. Não fosse assim as crianças, os doentes e os idosos seriam pessoas menos dignas, o que é um absurdo. Cada ser humano vale infinitamente pelo que é e não pelo que faz. Porém, a quem foi dado o imenso dom de trabalhar e não o utiliza ou o desperdiça egoisticamente será fadado ao insucesso e à frustração. Por outro lado, aquelas e aqueles que trabalham com esforço e dedicação, espera-lhes ao final de cada dia a imensa satisfação de ter feito exatamente aquilo que dela ou dele se espera para ser feliz: servir, por amor.