segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Polir as alianças

Por ocasião da celebração das nossas Bodas de Prata, o arcebispo de Campinas, D. Airton José do Santos, que muito nos honrou ao presidir a cerimônia, nos brindou com uma sábia lição. Antes da celebração ele nos havia perguntado se havíamos adquirido novas alianças, que então seriam abençoadas, ao que respondemos que não, pois gostaríamos de manter as antigas, porém, que as havíamos polido para aquela ocasião. Aproveitando esse fato, revelado aos assistentes, disse que assim deve ser o matrimônio: sempre o mesmo, porém, constantemente renovado.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Natal

É Natal. As festas desempenham um papel fundamental na vida pessoal, familiar e social. Tal como um quadro, que contém partes claras e sombrias, coloridas e cinzentas, os nossos dias não são todos iguais. Em alguns deles, a maioria, dedicamos várias horas ao trabalho, noutros, ao descanso e, noutros ainda, dispomo-nos a comemorar os acontecimentos mais marcantes. A celebração de ontem nos permite reviver um dos acontecimentos mais importantes de toda a história da humanidade.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Aborto e discriminação

Há alguns anos participei de uma entrevista de rádio, cujo tema era a semana de defesa da vida. Lembro-me de uma pergunta da entrevistadora que devo admitir que me causou perplexidade. Dizia ela: “sabemos que as mulheres ricas costumam viajar para fazer o aborto em países em que isso é permitido. Assim, a punição de quem o pratica no Brasil não representa uma discriminação para com as mulheres pobres, que não dispõem de condições econômicas para praticá-lo no exterior?”.

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

A Independência do Judiciário em Risco

Recentemente o Presidente do Senado Federal, Renan Calheiros, em resposta a uma operação da Polícia Federal que redundou na prisão de policiais legislativos a ele subordinados, sob acusação de obstruir a Operação Lava Jato, lançou duras críticas ao Juiz Federal que decretou a medida, chegando a afirmar que “o Senado não pode se submeter a determinações legais de um ‘juizeco’”.

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Uma Luz no Mundo

Lembro de um fato um tanto pitoresco que nos ocorreu há quase uma década. Trata-se de um desses acontecimentos divertidos da vida em família que se mantém indelével por muitos anos no coração e na memória daqueles que o vivenciaram. Dirigia eu apressadamente para o colégio dos meus filhos pequenos. Uma cena tão corriqueira numa manhã de segunda-feira... Uma das minhas filhas, então com 3 ou 4 anos ocupava o último banco. Ao me aproximar de um semáforo, notei com razoável antecedência que ficou amarelo, porém, movido pela pressa, resolvi arriscar. Logo que passei, ouvi uma vozinha com notório tom de censura vindo do fundo do carro:
- Pai, você passou no sinal vermelho!
- Será, filha? – Respondi tentando disfarçar o mau exemplo – Acho que ainda estava amarelo...
- Pai, sinceridade! Digo a verdade ainda que me custe? – Insistiu ela com uma frase pronta, agora aumentando ainda mais o tom de reprovação na voz.
- Filha, você tem razão. Estava vermelho. – admiti eu envergonhado.
Mas fiquei curioso para saber de onde vinha aquela frase e como a soube empregar tão apropriadamente no contexto em que vivenciou. E a explicação veio em breve: no colégio há – e já havia naquela época – um interessante trabalho de formação nas virtudes. Periodicamente se escolhe um hábito bom a ser fomentado nas crianças, que vem acompanhado de um lema. Naquela oportunidade era a sinceridade, que tinha o lema sabiamente reproduzido pela criança em censura ao pai que tentava faltar com a verdade.
Passado um tempo, refletindo sobre o que aconteceu, foi inevitável confrontar aquele acontecimento com o meu trabalho profissional. E devo admitir ao leitor que seria simplesmente maravilhoso se o lema dos que procuram a Justiça fosse esse: dizer a verdade, ainda que isso custe, ainda que isso implique sacrifícios. E como seria bom viver numa sociedade em que se pode sempre confiar na palavra do outro...
Mas a grata surpresa com aquela instituição de ensino não se limitou a isso. Quanto mais se conhecia – e se vivia na escola e em casa – o projeto pedagógico, mais ficávamos encantados com o seu potencial renovador.
Lembro-me, também, de uma primeira reunião a que fomos convocados. Chamam-na de preceptoria. Até então, estava acostumado a ser chamado ao colégio somente quando os filhos apresentam problemas de comportamento. No entanto, aquele encontro não tinha esse motivo. As crianças em geral estavam bem. O feliz espanto que nos proporcionou a reunião foi notar que conheciam a fundo cada um dos nossos filhos. Sabiam reconhecer suas muitas qualidades e, a partir delas, traçar um plano pessoal de melhora, a ser aplicado coerentemente na escola e em casa, sempre com um profundo respeito pela liberdade.
Os anos foram passando, alguns filhos já deixaram essa escola, outros vieram, mas o nobre ideal que motiva os profissionais que dedicam suas vidas à sublime missão de formar seres humanos prossegue, aprimorando-se cada vez mais. Hoje, felizmente, já são centenas de famílias que puderam tomar parte de uma entidade que tem a cara e o coração de uma família. Mais ainda, que tem por lema ser composta por famílias que formam famílias. É impossível medir, ao menos com nossa míope visão terrena, todos os bons frutos que esse maravilhoso empreendimento tem colhido para a nossa sociedade. Sabem-no muito bem, porém, aquelas e aqueles que tiveram o imenso privilégio de contar com esse poderoso auxílio da educação dos seus filhos.

Em breve o Colégio Nautas completará doze anos de vida. Se fosse um ser humano estaria saindo da infância e entrando na adolescência. Para aqueles que tiveram a grata felicidade de tomar parte nesse projeto, porém, será sempre uma criança, dessas bem pequenas que vemos todos os dias perambulando felizes em suas classes e parques. E o será, dentro outros motivos, pela sua simplicidade, sua alegria, sua acolhida sincera e pelo seu amor terno, profundo, sincero e incondicional ao próximo.